quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Fim das férias

Após um longo período de férias, a equipe Artrio volta às atividades. Apesar de ainda faltar finalizar alguns detalhes do documentário Teatro de Betho Rocha, outra parte da equipe finaliza o Storyboard da animação Crônicas de Oliver, que terá os trabalhos iniciados na próxima semana e pretende ser executado em um mês.

Finalizando o storyboard na Artrio
Marcelo Zuza explica as mudaças feitas por ele e Gledson Souza
Acompanhe as evoluções do projeto Crônicas de Oliver em cronicasdeoliver.blogspot.com

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Tempo errado

Aconteceu hoje de novo, sabe? Aconteceu de novo. Eu fico tão mal quando acontece, tão mal, mas isso sempre se repete. Todo dia alguém me vê e pergunta por você. E eu não me chateio por perguntarem, as pessoas não têm culpa de não saber. O que me enerva é que perguntam por você e eu respondo que não sei e daí eles encaixotam a discrição e o bom-senso e sempre perguntam com um ar fingidamente chocado se a gente terminou e eu respondo com o silêncio, talvez um aceno breve de cabeça, mas sempre em silêncio. E então eles começam a discursar sobre como éramos um casal bonito e feliz e, poxa, que pena que não estamos mais juntos, mas desejam que eu fique bem, essas coisas passam e logo eu vou encontrar outra pessoa - às vezes soa como "vá em frente, amigo, não morra, você consegue viver sem ela", como se eu estivesse morrendo de uma doença galopante por você ter me deixado. Outra coisa que me chateia é que quando eles perguntam por você imediatamente me pergunto por você também, porque assim como eles eu não faço a mais pálida idéia de por onde você anda. Ah, não, não me chateia não saber de você, me dá raiva por querer saber. Porque antes eu ainda tinha aquela coisa boba e dolorida de guardar os momentos bons, sabe? Antes ainda tinha aquela coisa de lembrar do dia ensolarado no parque ou qualquer coisa que eu tivesse como feliz na nossa história. E depois veio o tempo da amargura, o tempo de lembrar de todas as infelicidades e mágoas e dores pra ver se eu te esquecia. Depois veio o tempo mais feliz, pelo menos pra mim, que era lembrar de ti apenas como um ponto de referência, sabe como? Quando eu te inseria em uma lembrança minha era mais pra me situar no tempo e no espaço, algo como "choveu naquela noite", dizer "eu estava com ela" era o mesmo que dizer "foi um dia de calor absurdo". E agora eu acumulo todas as lembranças, boas e ruins, consigo me lembrar de cada gosto, de cada gesto, e agora sim eu pareço estar morrendo de uma doença galopante, porque antes não tinha isso de me perguntarem por você todos os dias. Engraçado, sabe do que me lembrei agora? Me lembrei que isso também me chateava no início de tudo, quando ainda estávamos "nos conhecendo e ficando ocasionalmente", passamos bem uns seis meses nessa, e as pessoas sempre me perguntavam por você e o que me dava raiva era porque de fato eu não sabia, você tinha a sua vida que não fazia parte da minha e era tão sua que eu não conseguia sequer imaginar o que você fazia quando estava longe de mim, porque estávamos apenas "nos conhecendo e ficando ocasionalmente" e eu não podia ligar só pra saber que diabos você andava fazendo. E muito embora eu soubesse que você tinha suas ocupações e não podia girar na minha órbita 24 horas por dia, meu coração apaixonado se enchia de delírios conspiratórios e sua ausência doía todas as noites, porque eu me sabia sozinho todas as noites mas não te sabia sozinha fumando um cigarro e pensando em mim antes de dormir. E aí se eu encontra alguém a primeira pergunta era sempre por você, e eu recalcado respondia "como é que eu vou saber?", ao que ouvia sempre uma piadinha na volta, algo como "é, se você não sabe, quem vai saber?". E foi assim até assumirmos o namoro, e incrivelmente as pessoas pararam de perguntar por você, justo na época que eu queria que perguntassem, porque aí eu saberia responder. Estão no tempo errado, todos eles. Dá vontade de tatuar na testa "não sei dela", pior é quando vão ao meu/que era nosso apartamento, "ah, ela não mora mais aqui", "por isso está essa zona" e por aí vai, e cada pergunta me traz uma lembrança nova, ainda mais corrosiva que a anterior, só fazendo aumentar a angústia e o tamanho da ausência. Quer saber? Da próxima vez que me perguntarem por ti, vou dizer que você morreu. De uma doença galopante qualquer. "Morreu, não é uma pena?".


Daniela Andrade Rodrigues

Só pra tirar a poeira do lugar.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Vida para Oliver






Primeiro teaser de "Crônicas de Oliver"

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Exposição de Xilogravura

Primeira exposição individual da artista plática Lucie Maria Scrheiner.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Qual a credibilidade do palhaço?

Festival Literário comete erro, não corrige e tampouco se manifesta.

O Festival Literário de Porto de Galinhas, ou simplesmente FLIPORTO, que em 2009 realiza sua quinta edição, tem como objetivo valorizar e divulgar a literatura produzida na América Latina, em um grande festival à beira da praia, celebrando a cultura e o fazer literário. Dentro da programação, que por si só já chama a atenção, um prêmio acabou fisgando a equipe da Artrio Produções, produtora de audiovisual da cidade de Rio Branco, Acre: O III Prêmio Internacional de Poesia ao Vídeo. Explico. Atualmente trabalhando em um documentário sobre um teatrólogo acreano, a equipe da Artrio viu no prêmio uma possibilidade de divulgar o trabalho que vem realizando, haja vista o teatrólogo em questão também era poeta e um dos vieses do documentário seria uma versão interpretada, em vídeo, de suas poesias. De fato, quando a produtora tomou conhecimento do festival e do prêmio, a poesia interpretada que encaminhou como concorrente ao prêmio já estava gravada e em fase de edição. Feitos os ajustes exigidos pelo regulamento do Festival, o vídeo foi encaminhado e, com muita expectativa, as informações sobre classificação para votação pública foram aguardadas.

Ao ser divulgado o link da internet para votação pública, a surpresa. O vídeo intitulado “Poema sem título”, encaminhado pelo membro da Artrio Bruno Miranda, não era o vídeo que a produtora tinha realizado. Ou seja: ao clicar na imagem e no título da poesia que a equipe da Artrio produziu, o usuário não assistia ao vídeo “poema sem título”, mas sim era encaminhado para uma página do Youtube que hospedava um vídeo concorrente.

Ao verificar o erro, a equipe da Artrio Produções entrou em contato com os organizadores do Festival através de e-mails, telefone e até mesmo o twitter. E não obteve nenhuma resposta do Festival. Por telefone, o velho “vou estar encaminhando para o setor responsável”, que no fim não se responsabilizou por absolutamente nada. E como o erro não foi corrigido, o público não teve acesso ao vídeo e, portanto, não pôde decidir se o mesmo tinha méritos para o prêmio ou não. O que é injusto por si só. A equipe conhece sua capacidade e reconhece o bom trabalho que realizou, e saber disso não é demérito para os outros concorrentes. E por ser um bom trabalho, a equipe entende que merecia ter sido avaliado não só pela coordenação do festival, mas pelo público, o alvo do prêmio e júri final. E divulgado o resultado, obviamente o vídeo produzido pela equipe acreana não constava entre os vencedores. Ao verificar o resultado parcial, disponibilizado pelo festival em seu site, o vídeo não teve um voto sequer. Claro. O vídeo do concorrente, para o qual você seria redirecionado ao clicar, já tinha sido visto, pois vinha antes na ordem de votação.

A equipe da Artrio Produções, em momento algum, entende que foi prejudicada pela qualidade do concorrente, até porque o vídeo em questão está entre os premiados. O fator prejudicial resvala simplesmente no fato de que, ratificando, seu vídeo não pôde ser visualizado. A produtora entende que foi prejudicada pela (des)organização do festival, que além de cometer um erro grosseiro, não corrigiu a lambança ao ser acionada pela equipe, nem tampouco se desculpou com nenhum dos membros da Artrio que entraram em contato para informar o erro.

Apenas para não silenciar o desrespeito e o descaso, a Artrio Produções vem por meio desta deixar uma nota de repúdio ao Festival Literário de Porto de Galinhas e sua organização, que se presta à divulgação da cultura literária mas pratica um desserviço aos fazedores de cultura quando ignora uma reclamação de erro de programação em um site. Que não se sabe porque motivos escusos não se deu ao trabalho de corrigir o erro. E o pior, claro. Não se manifestou, não se desculpou e não agiu diante da injustiça que seu erro causara.

Artrio Produções
Rio Branco, Acre, 05 de Novembro de 2009.

*

Para conferir o vídeo “Poema sem título”, produzido pela Artrio, clique aqui.

Para conferir a página da Fliporto, com o link errado, clique aqui.

Para mais informações sobre o documentário O Teatro de Betho Rocha, filme do qual o vídeo foi extraído, clique aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Oliver

Postagem dupla ^^

Para aqueles que acompanham o blog do Artrio, comunico que em breve o projeto de animação "Oliver" terá início.
Para quem não conhece, "Crônicas de Oliver" conta a história de Lucas, um garoto solitário que pede a um cientista-maluco-dono-de-ferro-velho um amigo com quem ele possa brincar. Nasce Oliver, o robô que joga vídeogame e tem a cabeça parecida com uma azeitona.

O projeto "Crônicas de Oliver" nasceu do interesse de impulsionar um segmento pouco explorado em terras acreanas: a animação e o interesse por outras temáticas que não sejam a florestania.

Todos podem (em breve) acompanhar o processo de criação no blog oficial: cronicasdeoliver.blogspot.com

No mais, nada mais

Até!

Dia Internacional da Animação

Em 28 de outubro de 1892, Émile Reynaud realizou a primeira projeção do seu teatro óptico no Museu Grévin, em Paris. Essa projeção foi a primeira exibição pública de imagens animadas (desenhos animados) no mundo. Foi para comemorar esta data que a Associação Internacional do Filme de Animação (ASIFA) lançou o evento, contando com o apoio de diferentes grupos internacionais filiados. Em 2009, o Dia Internacional da Animação está sendo realizado em mais de 30 países.

Rio Branco recebeu pelo segundo ano consecutivo a mostra oficial de filmes de animação, com um pacote que envolve curtas-metragens nacionais e internacionais comemorando o Dia Internacional da Animação, que foi dia 28 de Outubro. Este ano, a mostra contou com a exibição de curtas-metragens dos realizadores acreanos Ítalo Rocha e Marcelo Zuza, que apresentaram alguns de seu trabalhos. A sessão aconteceu no Cine + Cultura, no Teatro Hélio Melo.
Xapuri também participou da Mostra Oficial que foi exibida simultaneamente em todas as cidades participantes do evento.

No Brasil, o Dia Internacional da Animação é organizado pela Associação Brasileira de Cinema de Animação - ABCA. Essa é a 6ª edição do evento no Brasil, com a participação de mais de 400 cidades brasileiras.

Algumas das animações que foram exibidas na mostra de Rio Branco:

O Segundo ponto da animação
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Caboquinho da mata
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Empate
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Dossie Re Bordosa
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O Anão que Virou Gigante
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A Princesa e o Violinista
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No mais, nada mais.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Do que é feito o mundo?

Pense, repense, pare
Faça, fale, se cale
Não fuja, conduza
Vá, siga, descubra

Se em outro momento
Sou pensamento
Em outrora sou
Pretérito imperfeito

Procuro onde não encontrar
Fico cego para guiar
Surdo, mudo, pergunto:
Do que é feito o mundo?
Tédio, cimento e o muro

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O homem no espelho

Eu sei, é o que todos dizem: histórias de pessoas e espelhos já foram contadas antes, anos e anos antes de mim. Mas esse maldito espelho de última categoria que tenho no meu quarto não conversa comigo, não me leva a outras dimensões e tampouco afirma o óbvio: que existe alguém mais belo que eu. Ele só me mostra diariamente minha degradação física e meus colapsos mentais.
Eu tinha uma esposa. Quer dizer, ela não era bem minha esposa, nunca fomos formalmente casados. Mas eu a conheci aos dezenove, montamos um apartamento aos meus 21 e vivemos juntos por 13 anos, quando eu tive meu primeiro colapso mental e a deixei. Aproximadamente dois anos depois ela morreu, suicídio, a covardia mais corajosa que já vi alguém cometer. Eu já estava doente antes disso e continuo doente agora, agora que se passaram cinco anos da morte dela, e muito embora eu tenha piorado consideravelmente desde que ela se foi, meu corpo sempre se esquece de morrer. Coisa muito agradável de se fazer, por sinal. Desde que ela morreu eu me abracei à minha mortalha e tenho esperado pela Indesejada, que anda me ignorando solenemente.
Nina nasceu pra mim numa noite subterrânea na faculdade. À época eu já parecia doente, tinha um quê de sorumbático que irritava muita gente. Sempre fui uma pessoa grave e silenciosa, tão tímido quanto um ser humano podia ser, e isso parecia meio arrogante às pessoas. Ou seja, eu praticamente não tinha amigos. Cursava Filosofia, era chato e carregava comigo a maior solidão do mundo. Andava pra cima e pra baixo com meu maço de cigarros completamente amassado, um livro velho que de tão lido e relido eu já tinha decorado e o porta-uísque sempre abastecido, que passou do meu avô imediatamente pra mim por ser meu pai um abstêmio convicto e feroz. O livro era Cem Anos de Solidão, em espanhol, uma raridade que encontrei a um preço irrisório num sebo vizinho à minha casa, abandonado como eu. Não tinha lá muito respeito por ele, fazia todo tipo de anotação nas suas páginas e, por nunca deixá-lo na estante, estava todo deteriorado. Mas eu tinha um apego sobre-humano àquele exemplar, como se eu não pudesse andar sem ele. Falava pouco às aulas e, às vezes, sequer atentava para a explicação do professor, absorvido na produção do meu romance, a minha grande obra que nunca consegui concluir na vida, uma das muitas coisas às quais me dediquei e falhei miseravalmente. Ora, nem morrer eu consigo.


Nina, era de Nina que eu falava. Era uma aula de Ética III, uma das matérias mais insuportavelmente enfadonhas de todos os tempos. Metade da sala dormia e a outra metade se concentrava em qualquer coisa que não fosse aquele senhor já idoso lendo o seu plano de aula. Saí da sala sem ser notado – não que fosse uma tarefa assim difícil – e acendi um cigarro no corredor. Sorvi a fumaça como se finalmente voltasse a respirar, tomei um gole do uísque e me sentei no chão pra reler meus apontamentos. Já disse que era uma noite subterrânea, não disse? Sim, a sala era no subsolo da faculdade, e aqueles corredores silenciosos e sombrios estavam sempre à espera de uma anunciação. E ela veio.


“O coração, se pudesse pensar, pararia”


Bernardo Soares. Meu coração parou, assim, mas sem pensar. Alguém ali ou além recitava Bernardo Soares. Me ergui num salto mais ágil do que me sabia capaz e quase caí, olhando ao redor e procurando a voz, ou melhor, a dona dela.
__ Gosta de Pessoa?
Ela estava à minha frente, e parecia que sempre estivera ali, eu é que nunca havia enxergado.
__ Gosto muito de Pessoa. Mas o Bernardo é meu favorito.
__ É, eu reparei – resmunguei sem inteligência.
Era branca de uma brancura absurda, palpável, quase líquida. Meu instinto foi tocá-la, mas não pude, eu já não fazia mais sentido. Mal sabia se ela existia. Contrastando com sua brancura líquida, cabelos lisos de um negrume só, uma escuridão impenetrável.
__ Como é seu nome?
__ Breno.
__ Oi, eu sou a Nina.
Ela sorriu, e eu sorri de volta só porque o sorriso dela me encheu de uma felicidade imbecil. Ela usava um vestido de um amarelo berrante que ofuscava, e quando se aproximou pra me dar um abraço – que só recebi, sem retribuir – causou um choque visual ao se encontrar com a minha blusa preta.
__ Desculpa, mas de onde você saiu?
__ Festinha nas Cênicas. Fui ao banheiro e na volta te vi fumando. Então vim pedir um cigarro.
__ Você faz Cênicas?
__ Não, Desenho Industrial. Você pode me dar um cigarro? O que você estuda?
__ Filosofia.
__ Interessante. Por que não está na festa?
__ Não sou de festas.
Ela esquadrinhou o chão à procura do isqueiro e encontrou meu livro.
__ Um intelectual, é? Sabe, eles também frequentavam festas. Os intelectuais. Bebiam absinto e usavam drogas, essas coisas.
Dei de ombros. Ela riu, superior. Sacudiu o livro com pouquíssimo zelo, quis matá-la. Mas não pude.
__ Gosta de García Márquez, pelo visto.
__ É meu preferido. Esse é o livro da minha vida.
__ Sei. Você carrega consigo a maior solidão do mundo. Eu até gosto dele, sabe? Mas prefiro poesia.
__ Você é passional.
Sorriu novamente, com gosto.
__ É? E de onde você tirou isso?
__ De lugar nenhum. É só uma teoria.
Estava nervoso, incomodado, intimidado e crescentemente envergonhado. Ela tinha um ar insolente que me desnorteava, eu não sabia o que fazer das minhas mãos. Por fim tomei o livro e o isqueiro dela e dei as costas.
__ Onde você vai, Bruno?
__ É Breno. Meu nome é Breno. Vou voltar pra aula.
Ela me puxou pelo braço, sempre sorrindo.
__ Esquece a aula. Vem, vamos nos espalhar por aí.


Passei três dias seguidos na casa dela, vivendo de sexo e brisa, ou seja, um amor desesperado e latente. Eu me apaixonei pela sua loucura. A casa era o exemplo da desordem, o som era alto dia e noite, pessoas iam e vinham a qualquer hora e ela se alimentava de maconha. E mesmo bebendo feito uma lontra selvagem e fumando maconha como quem respira ela quase nunca dormia. Tinha o maior número de amigos que pude imaginar e pintava o tempo todo, andando pela casa em trajes sumários como se estivesse sozinha. Por vezes ela me deixava à deriva e se perdia nas coisas dela que eram só dela e continuariam sendo pelos próximos quinze anos.
Dentro do que conseguimos aceitar como sensato construímos nossa vidinha. Ou melhor, ela construiu sua vida com o resto do mundo, eu construí um castelo inacessível e nos tranquei na torre mais alta. Minha vida era ela. Meu sangue era o dela, meu respirar era o dela. Trabalhava por trabalhar, estudava por estudar, eu vivi Nina em desespero.


Dois anos depois de sua morte eu tive meu segundo colapso mental e larguei o emprego, prestes a me aposentar integralmente por invalidez. Meu pai ficou felicíssimo, claro. Pediu minha interdição e me trancou num hospital em São Paulo para tratamento. Terapia, quimioterapia, eu só queria morrer, mas não podia. Nina morta em mim doía, toda a dor do mundo, toda a solidão do mundo. Após um ano tive o terceiro colapso, me dei alta daquele hospital infernal e me mudei para o Rio de Janeiro. Fumava dois maços de cigarro por dia pra ver se apressava a hora de ir embora e bebia ininterruptamente. Escrevia, virei escritor, fui publicado e lido aqui e ali, foi no terceiro mês de Rio que o espelho apareceu. Só comprei pra me livrar do vendedor, larguei aquela monstruosidade barroca no meu quarto e não lhe dei atenção por uns quatro dias, até me ver refletido nele.
Tive o quarto colapso mental, então. Parei de fumar, reduzi drasticamente a bebida àquele cálice de vinho famigerado dos cardiologistas e tentei fazer uns amigos. Cheguei a viver um pseudo-amor com uma moça branca e bela que hoje me odeia violentamente. Adiei a morte enquanto me foi possível, mas por um motivo qualquer que ainda agora ignoro completamente, pois não havia vontade, não havia apego nenhum à vida. Continuei a amar Nina de um jeito tão doentio e agalopado que me parecia errado não estar com ela.


Hoje, hoje tive meu quinto e último colapso mental, eu acho. Cheguei em casa mais embriagado que uma marmota mutante e vi Nina branca, incrivelmente branca, no espelho. Sem pensar uma vez sequer eu o destruí, juntando seus destroços sobre a cama, e me deitei ao seu lado, todas as pílulas nas mãos ensanguentadas.


“O coração, se pudesse pensar, pararia”. Acho que pára dessa vez.

Daniela Andrade Rodrigues

*

Breno é meu personagem mais longevo. Sua história está contada em textos fragmentados no blog Cognome - Verdade.

sábado, 26 de setembro de 2009

Os Grandes Olhos da Imaginação

Na verdade esse desenho (rabisco) foi feito durante uma reunião de trabalho.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ossos e Crucifixo


Foto: Magno Wesley, Italo Rocha e Marcelo Zuza
Apesar de não ter tempo pra mais nada, a gente ainda quer mais. "Ossos e Crucifixo" é um conto trash de Magno Wesley que a gente resolveu animar com massinha.
Nesse primeiro momento nós rabiscamos alguns personagens e fizemos alguns testes com massa de modelar.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mata a cobra e mostra o pau

Dream Cry Lança camisa do VI Feliz Metal



A Dream Cry produções lançou a camisa oficial do VI Feliz Metal, na foto Italo Rocha, criador da arte, e Ricardo Costa (Dream Cry Produções e Silver Cry), a camisa custa R$ 15,00 e não vale como entrada no evento.
A Dream cry lembra também que as inscrições para a seletiva do VI Feliz Metal, vai até amanhã, dia 25/08/2009. Luiz Vieira e Airton Diniz (Roadie Crew) já esperam o Myspace das bandas inscritas para fazer suas análises e escolher 4 bandas para fechar a programação do evento.


Fonte: Dream Cry Produções

domingo, 6 de setembro de 2009

Fim de semana com trabalho prolongado



Bom dia^^
Neste fim de semana eu lotay de trabalho, hehe
Ainda bem né? Entre cartazes e flyers para evento de anime, também estive ocupada com um selo promocional para uma empresa de panelas (ah deixa esse pra terça vai... xD) e caricaturas de clientes.
Este é o Zanetti, da redação do Jornal Bom Dia da minha cidade. E ao lado um casal de clientes!
É isso aí, to indo nessa ouvir nerdcast de sexta! huahua Bjão o/

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cine Biriba

Cine Biriba é um curta de Aurelia Hubner, baseado nos contos da escritora Leila Jalul. O curta tem metade do filme com atores e a outra metade em animação.

A animação será feita pela ARTRIO Produções

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Da fome

Tem gente que se alimenta de comida. De música. De amor. De luz. Ela se alimentava de mágoa. Deixava acumular, fingia que perdoava, chorava sozinha e mordia a ponta dos dedos, sentindo toda a mágoa do mundo de uma vez só. E somente quando se cansava muito é que ela conseguia sair da letargia e, por fim, se recuperar. Mas só pelo excesso de mágoa que deixava juntar no peito. Como se no fundo do fundo do poço sem fundo houvesse uma mola que se alimentasse também das dores dela, e somente muito pesada pudesse impulsioná-la para fora. Alimentada de mágoa ela conseguia levantar da cama e organizar a casa, tirar dois quadros da parede, arrumar o banheiro que está há dias esperando o conserto, somente alimentada de mágoa ela sentia que tinha que se reencontrar e, sabe? Viver. Porque sem isso era como se não houvesse fome. E sem fome era como se não houvesse porque levantar da cama depois de dois dias. Ela se enchia de mágoa pra comer o próprio coração.